Rio Jamor: Faz hoje um ano…

Por: Cidadania Queluz
18 de Fevereiro de 2009

riojamor

18 de Fevereiro: Faz hoje um ano em que duas pessoas morreram no Rio Jamor. Chamavam-se Sara Gomes e Zíbia Coimbra. Quer a empresa Estradas de Portugal como a Câmara Municipal de Sintra descartaram responsabilidades. Segundo o advogado da família, Ministério Público não abriu qualquer processo para investigar situação.

A família teve apenas silêncio da parte da Câmara Municipal de Sintra. Ao contrário de outras situações, o Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Fernando Seara não esteve no local.

Fátima Campos, Deputada Municipal,  disse na Assembleia: “o que a família se queixa é que o senhor presidente da câmara não enviou condolências, não esteve com eles, não esteve no local. Enfim, há coisas que caem bem” e que “o que a família se queixa é do desprezo que a câmara lhes deu”. A Junta de Freguesia de Monte Abraão foi mesmo a única entidade a prestar apoio psicológico à família e a pagar o funeral.

Desde 1989 estão feitos os estudos sobre o leito de cheia nas freguesias de Belas, Monte Abraão e Queluz no que diz respeito ao Rio Jamor. Apesar do estudo estar feito e da sua importância, continua a não haver qualquer referência ao mesmo na página do Plano de Ordenamento de Território da Câmara Municipal de Sintra.

De referir o seguinte: Câmara Municipal de Sintra (Mais Sintra) e Junta de Freguesia de Queluz (PS) pretendiam a construção de uma via no local do Rio Jamor que retirasse trânsito à Av. Miguel Bombarda. Este projecto já teve resposta negativa do Inag por duas vezes a quem a Câmara tem de pedir parecer.

A aliar à falta de transparência que já é conhecida da parte da Câmara Municipal de Sintra denota-se também uma falta de resposta ou respostas erradas a um problema que deveria estar no topo das prioridades da Câmara Municipal de Sintra: evitar que a situação se repita.

Nas Grandes Opções do Plano para 2009 da Câmara Municipal de Sintra não é referido uma única vez a problemática do Rio Jamor e uma só estratégia de requalificação paisagística, urbana e florestal para o curso de água que pode valorizar a cidade de Queluz e dar Qualidade de Vida aos seus cidadãos.

Já em 2005, aquando a elaboração da 1ª fase do Plano Verde de Sintra a Câmara Municipal foi alertada para esta situação com as seguintes frases:

  • “sustentabilidade da região está gravemente comprometida”
  • “As cheias do Rio Jamor em 1967 vitimaram dezenas de pessoas entre Queluz até Oeiras.”
  • «aumento do perigo de cheias nas áreas urbanas a jusante.»

Câmara Municipal de Sintra num plano de requalificação (sem utilização de betão) poderia resolver vários problemas num só:

  • Criação de uma ciclovia de Belas até à cidade de Queluz – estação Queluz-Belas – o que poderia retirar algum trânsito à EN117
  • Criação de um corredor verde (com predominância de Amendoeiras devido à importância que têm no nome da cidade) entre o Parque Felício Loureiro/Matinha de Queluz e Belas/Serra de Carenque
  • Criar a ligação rodoviária de Monte Abraão a Queluz através da Rotunda do Jamor.
  • Criação de um percurso pedonal para passeio e atletismo.
  • Criação de zona de contenção em caso de cheias no Rio Jamor.
  • Reorganização das hortas urbanas no local.

Da parte da Câmara não se encontram soluções. Apenas silêncio face a esta situação. Ou muito pior:  hoje anunciou-se um novo estudo entre a Câmara Municipal de Sintra e as Estradas de Portugal.

Espera-se pela conclusão e publicação do mesmo e já agora que apure as responsabilidades.

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